Realização de um sonho
O sonho conhecer um local único, sem igual no planeta, uma região ainda virgem e muito pouco explorada onde seria possível uma aventura a moda antiga com o suporte de hoje e isso de uma maneira impar sobre uma moto off road. Isto mesmo aquela moto usada nas trilhas de final de semana, nas provas e enduros eventuais ou no passeio com os amigos.Tudo organizado pelo pessoal da Dust e seguindo o padrão dos eventos que realiza.
A região uma junção do litoral de três estados do nordeste brasileiro (Ceara, Piauí, Maranhão), passando por Jericocoara, Delta do Parnaíba e chegando aos Lençóis Maranhenses, num trajeto circular subindo pelo litoral e voltando pelo sertão.
Após intensas pesquisas, horas de planejamento, incontáveis ligações, montamos o primeiro grupo. Todos muito entusiasmados e sem a mínima noção do que estava por vir.
Que surpresa!!!!
Por mais que imaginássemos não conseguiríamos visualizar os atrativos da região para os amantes do off road.
O deslumbramento foi tal que já tivemos três grupos executados e na montagem do 4° para o próximo período no ano que vem.
A aventura começa na preparação das motos para a viagem, detalhes simples, mas imprescindíveis para suportar a maratona em uma região agressiva em termos de desgaste das maquinas e muito molhada devido ao período das chuvas, com uma seqüência de 8 dias consecutivos de trilhas num percurso total de aproximadamente 1.200 km.
Aqui uma breve descrição do desenrolar da terceira Expedição.
Embarcamos as motos num caminhão com uma semana de antecedência com destino a cidade de Cruz no Ceará.
Na sexta-feira seguinte nos concentramos na Dust e começamos nossa aventura rumo a Fortaleza nossa primeira parada.
Por incrível que pareça com toda a bagunça nos aeroportos, estávamos com sorte chegamos a Fortaleza sem atraso e fomos diretos para o ônibus que nos levaria a cidade de Cruz ao encontro de nossas Motos.
O dia amanhece e como o nome da aventura começa com “Expedição” a primeira surpresa. Num trajeto de aproximadamente 3 horas e meia levamos mais de 7 horas para fazer, nosso motorista se confundiu em um retorno e foi o suficiente para chegarmos ao amanhecer.
Aquele tempo que esperávamos ter para uma soneca, como se com a adrenalina que estávamos fosse deixar alguém dormir, foi para o espaço, tomamos um banho, um belo café da manhã, colocamos todo nosso equipamento, fomos apresentados ao nosso guia local e partimos na direção de Jijoca de Jericoacoara nossa primeira parada para um almoço pra lá de especial regado a camarões patola e muito peixe inclusive um tal de bijupirá só encontrado nesta região cujo sabor não me atrevo a descrever, só para se ter uma idéia o pessoal do restaurante não vencia trazer porções para a mesa. Após o almoço recolocar o equipamento e começar a subir e descer as primeiras dunas com travessias de rio por balsas, ou melhor, verdadeiras pranchas flutuantes movidas pelos garotos da região, chegando ao entardecer as margens do rio camocim mais uma balsa, esta já motorizada, e estávamos em Camocim nosso primeiro pernoite.
Camocim uma cidade que vale a pena conhecer um povo extremamente acolhedor e muito simpático que fez de nossa estada uma delicia.
Domingo sete horas da manhã, é isso mesmo, todos de pé e com a corda toda para o próximo trecho.Já com um novo guia local abastecemos as motos e partimos.Praia deserta, dunas, riachos só farra na areia, um trecho sem igual e como não poderia ser de outra forma mais uma travessia agora um rio realmente grande, mas a canoa só se diferenciou das outras por possuir uma vela que ajudaria na travessia!
Esta realmente foi caprichada as motos e os quadriciclos não cabiam na canoa e ficavam com as rodas traseiras penduradas para fora algo realmente cômico hoje, mas no dia a apreensão foi grande.
Vencida esta travessia rumamos para a nossa próxima parada na praia de coqueiro onde mais camarão patola e lagosta nos aguardava.
Neste trajeto alguns tombos não poderiam deixar de ser relatados como o do “Homem Machado” que derrubou uma arvore, com sua intrépida crf-230, sem grandes traumas alem do ego e da coitada da arvore.
Almoçamos e fomos para mais um treco de dunas, ou melhor, outro parquinho com formações completamente diferentes das vistas até agora.Realmente uma surpresa atrás da outra e quando se pensou que o passeio ia ficar repetitivo, novas surpresas nos aguardava. O primeiro funil que loucura rodar inclinado na parede da duna de cabo enrolado isso é muito difícil de explicar a sensação, a adrenalina, a paura de sair rolando duna abaixo e cair na lagoa no pé da duna, impossível explicar.
O dia termina em Parnaíba já no Piauí e nem sinal de cansaço só aquele olhar de como será amanhã.
Segunda um café muito especial novamente às 7 horas, descemos e fomos para a oficia pegar nossas motos, onde uma revisão e lavagem foram feitas durante a noite por uma oficina contratada especialmente para isso, partimos em direção ao porto de Tatus para embarque das motos num cruzeiro de 6 horas descendo o rio Parnaíba com destino a Tutóia já no Maranhão, com direito a caranguejada e almoço típico da região.
No desembarque em tutóia uma festa parecia que a cidade tinha parado para nos ver chegar uma recepção muito calorosa e curiosa também.
Estado novo guia novo, partimos em sentido a Paulino Neves por uma estradinha de areia com possas enormes, as quais foram usadas para amenizar o calor e molhar o parceiro.
De Paulino Neves rumo a Atins mais uma travessia por dunas, rios, lagoas e praia deserta com um por do sol digno de foto para o álbum das prediletas.
Anoiteceu e mais uma prancha rebocada por um catamaram nos levaria a uma pousada cinematográfica do tipo das que vemos nos catálogos de viagem ou nos paraísos asiáticos, a beira dos Lençóis.
Terça rumo Barreirinhas através dos Lençóis, motos afogadas logo de cara na saída da pousada um contratempo de mais de 1 hora para se ressuscitar as coitadas, mas por fim elas estavam prontas para o melhor da expedição de repente uma brincadeira sem conseqüência quase estragou a festa de verdade, um salto, ou melhor, uma tentativa de saltar uma lagoa e um dos tombos mais espetaculares da expedição que por sinal foi flagrado pelo nosso cinegrafista e com certeza estará no DVD da Expedição, não da para explicar ou comentar de moto andando nos Lençóis, passando por dunas com mais de trinta metros de altura, lagoas com águas cristalinas azuis turquesa e mais de 2 metros de profundidade com direto a banho e mergulhos, só estando no local para ver o que o grupo todo de boca aberta sentia e passava agora a acreditar quando falávamos dos detalhes da Expedição lá em São Paulo.
Quarta novamente as sete após o café da manhã, agora com algumas baixas, um quadriciclo avariado e três pilotos exaustos sem condições físicas para suportar a maratona do dia, nos preparam para enfrentar um trecho de mais de 200 km de volta a Parnaíba por estadas de piçarra com muita possa d’água, segundo um dos participantes apenas 17.598 e ele acha que esqueceu de contar algumas, diversão garantida, pois o terreno muito parecido com as nossas estradinha de terra só que sem costela de vaca. Final de tarde quase noite e chegávamos a Parnaíba com um saldo recorde de apenas um pneu furado e sem nenhuma moto ou quadriciclo quebrado para desespero do mecânico que novamente faria a revisão de nossas maquinas.
Agora o cansaço já se fazia presente nas feições do pessoal, mas o que era incrível é que ninguém se permitia perder nada, ou melhor, nenhuma atividade se quer por estar cansado.
Quinta rumo a Camocim. Saímos de Paranaíba e para começar o dia um novo trecho de muita diversão, não para alguns que se perderam um pouco na estradinha de areião tipo facão no meio dos espinheiros e deixaram partes de suas imensas narinas por lá. Após este trecho nova travessia pelas dunas e funis com diversão certa, pois o terreno muito parecido com o da vinda só que agora a areia estava seca, pois ficou um dia sem chuva e com muito sol ai a diversão foi completa e o festival de tombos (sem gravidade, mais muito divertidos não parava de acontecer).Num trecho de piçarra mais uma baixa, uma “Tornado” perdeu alguns raios da roda traseira e fomos obrigados a cortar um trecho de sertão por mais dunas o que não atrapalhou a diversão. Final de tarde chegamos a Camocim, a fome já estava grande e o restaurante escolhido não deixou por menos servio o que já estávamos nos acostumando a comer Camarões Patola em abundancia.
Sexta rumo a Jericoacoara. Saímos agora para uma etapa tipo maratona sem apoio e guia local um trecho de aproximadamente 50 km que em outro lugar qualquer seria feito a beira da praia num tempo máximo de 1 hora levamos quase o dia inteiro. Nada de anormal, passamos toda a manhã nos divertindo nas dunas da região que também não deixam nada a dever as dos lençóis em beleza, altura e diversão, pois os funis formados por elas não nos fizeram lembrar que seria o ultimo dia de nossa aventura pelos paraísos do Nordeste.Na hora do almoço fomos ao encontro de nosso amigo Sávio que nos proporcionou um almoço digno de reis em sua fazenda de Camarões, o difícil foi chegar a jericoacoara no final da tarde.
Jericoacoara vilarejo isolado a beira das dunas e banhado pelo mar num clima mágico e bucólico. Era a nossa despedida que se aproximava.
Depois de um jantar num barzinho a beira da praia, fomos dormir para no dia seguinte fecharmos nossa jornada em Cruz de onde saímos.
Sábado rumo a Cruz. Todos calados, poucas brincadeira o café já não era tão cedo e o sentimento de saudades já começava a surgir. Pequeno trecho de areia mais um pouco de praia até o Preá (vilarejo próximo a jericoacoara) e estradinha de piçarra por mais uns 35 km e nosso destino Cruz. Meio sem fôlego, contentes, tristes, exaustos, mas muito, muito felizes por ter vivido uma aventura que será lembrada e contada por muito tempo aos que não tiveram a felicidade de estar neste grupo.
Só que Expedição Nordeste ainda não havia acabado mesmo depois de carregada as motos, tomado aquele banho ainda tínhamos mais um almoço especial para saborear no restaurante do Paulinho em Acaraú, a caminho de Fortaleza nossa ultima parada antes do aeroporto.
Enfim motos a sacolejar pela estrada por mais uma semana dentro do caminhão e pilotos, ou melhor, a que sobrou deles rumo a São Paulo também sacolejando no avião.
Expedição Nordeste uma aventura muito, mas muito especial!!!!!
Viva esta aventura!!!!!!!!!!
Equipe Dust
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